São Desidério Fest 2018

15 junho 2018

Câmara da Argentina libera aborto; falta Senado



Foram vinte horas de uma votação tensa, na Câmara dos Deputados da Argentina. As ruas de Buenos Aires, estiveram lotadas todo o dia. E ao fim, por 129 votos a favor e 125 contra, os deputados decidiram mudar a Lei do Aborto que estava de pé desde 1921. Foi o presidente Maurício Macri quem provocou a reabertura do debate. Segundo o texto aprovado, o aborto passa a ser legal até a 14ª semana de gravidez. Mas não acabou: falta o Senado. E uma das grandes expectativas é sobre como votará a ex-presidente Cristina Kirchner que, durante seu governo, recusou-se a levantar o tema — mas que é pressionada tanto pelas mulheres, quanto pela esquerda, forças que pretende representar.

Lena Lavinas, economista da UFRJ: “Temos que entender isso como um movimento internacional das mulheres, que vem ganhando densidade com essas novas gerações, para quem a liberdade é muito importante. É preciso destacar que houve um debate extremamente político, onde foi apontado que descriminalizar o aborto significa tirar as mulheres da clandestinidade. Os movimentos sociais foram capazes de redefinir a agenda política em uma sociedade tão polarizada quanto a nossa, o que indica que também podemos avançar nessa direção. Espero que os políticos brasileiros tenham alguma clareza para travar esse debate.” (Globo)

Bruno Boghossian: “Não se deve esperar que os candidatos ao Planalto estejam dispostos a discutir o tema a sério este ano. Bolsonaro mira um fantasma inexistente para reforçar seu viés conservador e promete vetar uma (improvável) flexibilização da lei. Marina se diz contrária ‘por convicção filosófica e de fé’, mas condena a prisão de quem fizer aborto. Ciro resume: ‘Quero governar o Brasil, e o Brasil é uma sociedade conservadora. Não vou hostilizar as pessoas em nome dos meus valores’. Ele é favorável à legalização, mas quer desviar do tema na campanha. Os políticos fingem ignorar a gravidade do assunto e reforçam um tabu: 57% dos brasileiros acreditam que mulheres que fazem aborto fora dos casos previstos devem ir para a cadeia. Só 36% dizem que não deve haver punição. Na Argentina, o terreno é mais fértil. A população defende a legalização e, embora o país seja majoritariamente católico, 25% dos argentinos se dizem não praticantes (no Brasil, são 10%). Há mais do que 2.800 km entre Buenos Aires e Brasília.” (Folha)

Por: Meio