São Desidério Fest 2018

02 maio 2018

Tragédia em São Paulo expõe mazela dos sem-teto



Um edifício abandonado desabou ontem de madrugada, no centro de São Paulo, após arder em chamas por pouco mais de uma hora. Estima-se que 248 pessoas sem moradia viviam lá, e 29 ainda não foram localizadas. Localizado no Largo do Paissandu, a uma quadra da célebre esquina da rua Ipiranga com a avenida São João, o prédio pertencia ao Governo federal. A construção havia sido liberada pelo Ministério Público em 16 de março, com base em um laudo da Defesa Civil. “Não foram constatadas anomalias que implicassem riscos naquela edificação”, afirmou o promotor Marcus Vininicius Monteiro dos Santos. A Igreja Evangélica Luterana, de 1908, também ruiu parcialmente. Estava colada ao prédio. “Praticamente sobrou o altar e a torre”, lamentou o pastor.

O incêndio começou no quinto andar, por volta da 1h30. Segundo uma testemunha, um casal brigou enquanto cozinhava usando álcool por combustível. Suas roupas se incendiaram, eles se despiram e desceram com os filhos pela escadaria. Os bombeiros ainda não definiram a causa do incêndio. (Globo)

De acordo com o líder do MTST e candidato à presidência Guilherme Boulos, a ocupação pertence a outro movimento: o MLSM.

Os moradores pagavam contribuições mensais que variavam de R$ 150 a R$ 450. “Parte desta invasão foi financiada por uma facção criminosa”, afirmou o ex-prefeito João Doria sem oferecer detalhes. O governador socialista Márcio França foi inclemente. “Esse tipo de moradia é inabitável, ficar aqui é procurar uma encrenca”, disse. “As declarações indicam que há um risco muito grande de criminalizar as ocupações”, sugeriu o padre Júlio Lancelotti, ligado à população de rua. “Se houvesse respostas adequadas do poder público, não ocorreria uma tragédia dessas.”

O edifício Wilton Paes de Almeida era um prédio importante. Desenhado pelo francês Roger Zmekhol e inaugurado em 1968, de 24 pavimentos, sua estrutura era de concreto armado. Foi um dos primeiros, em São Paulo, com a fachada preenchida por esquadrias de vidro — possível pela decisão de concentrar as áreas de serviço, além da infraestrutura hidráulica e elétrica, no miolo. Era um marco modernista. (Estadão)

O presidente Michel Temer tentou visitar o local, pela manhã. Saiu escorraçado, aos gritos de ‘golpista’ e ‘filho da puta’. Garrafas d’água foram atiradas contra ele e, seu carro, chutado.

Leão Serva: “A tragédia é uma imagem perfeita de diversos problemas que envolvem a questão da habitação em São Paulo. A demora em reduzir o déficit habitacional, a falta de investimentos, a ausência completa da fiscalização dos órgãos de segurança, a demagogia de políticos interessados nos votos dos movimentos de sem-teto e a esperteza de líderes com-teto dessas entidades. O mais chocante é o fato de que movimentos de sem-teto (não todos, mas muitos) operam como imobiliárias em imóveis alheios, especulando com espaços em prédios ocupados, sem entregar condições mínimas de segurança e habitabilidade. Os líderes com-teto se beneficiam de uma hipocrisia generalizada, que inclui os movimentos legítimos, que evitam denunciar os malandros, e as vistas grossas de várias instâncias do poder público.” (Folha)

Fonte: Meio