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09 maio 2018

Joaquim está fora; dentro ficaram os profissionais



Foi via Twitter e pegou todo mundo de surpresa. “Após várias semanas de reflexão”, escreveu Joaquim Barbosa, “cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a presidente. Decisão estritamente pessoal.” A Lauro Jardim, do Globo, o ex-ministro do Supremo entrou no detalhe. “Meu coração já vinha me dizendo: não mexe com isso, não”, contou. Barbosa explicou que procurou evitar muitos encontros nas últimas semanas para não levantar as expectativas. E preferiu definir logo, temendo que uma nova pesquisa indicasse seu crescimento. “Desistir mais tarde seria complicado em todos os sentidos”, explicou. Ele contou, também, ter alguns temores relativos ao pleito deste ano. O de uma vitória de Jair Bolsonaro, o de que Michel Temer possa articular uma artimanha para se manter no poder ou mesmo de um Golpe Militar. A Maria Cristina Fernandes, do Valor, demonstrou desânimo. “Os políticos criaram um sistema de maneira a beneficiar a eles mesmos. Não tem válvula de escape. O cidadão vai ser constantemente refém, não tem como mudá-lo. Esse sistema contém mecanismos de bloqueio que servem para cercear as escolhas.”

Bernardo Mello Franco: “E por que Barbosa pulou fora? Ele media os custos pessoais de uma aventura eleitoral. Temia perder dinheiro e tranquilidade. O ex-ministro montou escritórios de advocacia no Rio, em São Paulo e em Brasília. Além disso, passou a fazer palestras remuneradas para empresários e investidores. Como pré-candidato, teria que abrir mão dessas fontes de renda. Poderia viver com a aposentadoria do Supremo, mas teria dificuldade para manter a ajuda financeira à família. Barbosa também temia o jogo pesado de uma campanha. Acostumado a elogios, sabia que seria bombardeado pelos adversários ao se lançar na disputa. Lembrava o exemplo de Marina Silva, alvo de marketing agressivo do PT em 2014.” (Globo)

A diretora-executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, avalia que é cedo para dizer quem herda seus votos. “Não dá para saber, a priori, o potencial que de fato Barbosa teria.”

Bruno Boghossian: “A desistência representa um alívio para o grupo de Alckmin. O ex-presidente do STF começava a ocupar um eleitorado-alvo do PSDB: grandes cidades, renda mais alta e educação superior. Os tucanos queriam evitar ou adiar qualquer articulação de uma aliança com o MDB, devido ao desgaste sofrido pelo partido do presidente. A saída deve dar algum fôlego a Alckmin nas pesquisas. Ainda que seu crescimento seja residual, qualquer solavanco pode ser suficiente para que ele se torne um polo de atração de alianças. A desistência também retira das urnas um candidato que absorveria parte de um eleitorado insatisfeito com a classe política tradicional. É natural que Marina Silva seja uma das principais herdeiras desse estoque de votos. À esquerda, a desistência devolve à arena eleitoral o PSB, que tem uma fatia de 45 segundos em cada bloco de propaganda de TV. Uma ala da direção do PSB já declarou apreço pela candidatura de Ciro Gomes e, embora haja uma ligação íntima com o ex-presidente Lula, esse grupo se esforça para reduzir a associação da sigla com o PT.” (Folha)

Vera Magalhães: “Aliados e adversários de Ciro Gomes esperam que o pré-candidato intensifique os acenos ao centro nos próximos dias, depois que ficou (mais) claro que o PT não pretende apoiá-lo. A busca por um vice do meio empresarial e declarações como a que repetiu ontem, de que o setor produtivo não pode ser ‘demonizado’, já estão inseridas nessa nova estratégia.” (Estadão)

Já pela direita... Ao menos 71 militares serão candidatos em 25 estados, informa o Estadão. Assim como, diz a Folha, Bolsonaro pode ganhar concorrente. Filiado ao PRTB de Levy Fidélix, o general da reserva Antonio Hamilton Mourão cogita a presidência.

Fonte: Meio