29 maio 2018

Infiltrados controlam caminhoneiros



A greve dos caminhoneiros entra, hoje, em seu nono dia. Ontem à noite, um pequeno grupo de manifestantes interrompeu o trânsito próximo à Praça dos Três Poderes, obrigando o presidente a tomar um helicóptero para ir ao aeroporto. Neste período, a Petrobras perdeu R$ 126 bilhões em valor de mercado e caiu de primeira para quarta maior empresa do país. Em alguns grupos de WhatsApp, corria ontem, forte, o boato de que uma intervenção militar estava à beira de acontecer. Mais cedo, o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros, José da Fonseca Lopes, afirmou que em vários bloqueios os profissionais são impedidos de voltar ao trabalho. “O pessoal quer voltar, mas eles têm medo porque estão sendo ameaçados de forma violenta”, afirmou. Já se iniciou, mas de forma precária, o reabastecimento de insumos hospitalares, comida e combustível das grandes cidades. Por enquanto, só de escolta.

É um depoimento que aparece aqui e ali. Em alguns dos bloqueios, os caminhoneiros são intimidados por milicianos armados que não permitem sua saída. Segundo o jornalista Marcos Augusto Gonçalves, acontece pelo menos em Minas, no Paraná e em Goiás. (Folha)

O Planalto identificou três grupos que se infiltraram na paralisação.Intervenção Militar Já, Fora Temer e Lula Livre. Eles representariam, segundo as associações de classe, algo como 10% a 15% do movimento. (Estadão)

Preocupado, ontem à noite Jair Bolsonaro publicou no Facebook um vídeo pedindo que a categoria volte ao trabalho. “Quem aposta no pior é essa esquerda comunista”, afirma. Em entrevista à Folha, ele buscou se afastar de quem pede que os militares derrubem o governo. “Na minha opinião, dos meus amigos generais, se tiver de voltar um dia, que volte pelo voto. Aí chega com legitimidade, não dá essa bandeira para o PT dizer ‘abaixo a ditadura’ ou ‘foi golpe’, porque aí foi golpe mesmo.”

No Legislativo há alguma apreensão. Ontem, governistas e oposição se reuniram na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para elaborar um documento de defesa de democracia. De acordo com o Painel, ao menos um parlamentar da base chegou a insinuar um discurso pró derrubada do presidente. Foi imediatamente repreendido. (Folha)

Segundo o site BR18, a Polícia Federal deve começar operações para prender líderes dispersos da greve que resistem ao fim das paralisações e mantêm o bloqueio ao livre trânsito de mercadorias.

No Rio, os serviços de transporte público de ônibus e BRT devem voltar a circular com a totalidade da frota a partir de hoje, mas as instituições federais de ensino suspenderam as aulas até semana que vem. No DF, houve cancelamento de vôos no aeroporto de Brasília, que recebeu ontem mais um carregamento de querosene e operava com 55% do estoque. Em São Paulo, só há combustível suficiente para garantir a circulação de ônibus até hoje e o número de feiras livres foi reduzido para concentrar os feirantes que ainda têm mercadoria. No comércio eletrônico, o atraso na entrega de produtos comprados pela internet pode chegar a até 7 dias nas capitais — em outras regiões, pode ser de até 11 dias.

Míriam Leitão: “O próximo governo assumirá tendo que cortar R$ 30 bilhões e, além disso, terá que aumentar o diesel ou encontrar nova solução. Toda a complexa engenharia para reduzir menos de meio real no preço do litro do diesel não pode ser mantida no ano que vem porque não há espaço para mais este gasto. O governo fez uma engenharia complexa. Uma MP está criando um programa de subvenção. O dinheiro veio de um remanejamento: parte de uma arrecadação extra que houve no ano e outra de uma reserva feita para capitalização de estatais, que não ocorrerá. Mesmo assim não é suficiente. Será preciso aprovar o projeto de reoneração. Se e quando for aprovado não será o bastante e por isso o Ministério da Fazenda estava ontem preparando outros cortes. Além disso, criará um imposto de importação flexível, que subirá quando o preço externo cair e será reduzido quando o preço externo estiver subindo. Essa é mais uma das medidas necessárias para manter essa nova política.” (Globo)

O Meio acompanhou, ao longo da segunda-feira, alguns dos grupos ligados a caminhoneiros e dos agitadores que pedem intervenção militar. Há mensagens que se repetem. Uma delas é um pedido constante à população das cidades para que se engaje e peça também a diminuição do valor da gasolina. Há desabafos contra o governo feitos por anônimos de todo o país. E predomina uma certa confusão política. Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores (Spotify), hino dos estudantes contra a ditadura de 1968, aparece repetido aqui e ali como canção para engajar os militaristas. Veja alguns dos vídeos que circulam.

Lauro Jardim: “O que o Brasil está vivendo desde a semana passada é a segunda morte do governo Temer. A primeira deu-se pelo que Michel Temer fez às escuras, quando recebeu Joesley Batista no porão do Jaburu na noite de 7 de março de 2017. A segunda morte ocorre pelo que não fez às claras, ou seja, pela incapacidade de impor um mínimo de autoridade.” (Globo)

Por: Meio