08 maio 2018

E começaram a costurar chapas



Começou agitada a semana eleitoral. Após a conversa do presidente Michel Temer com o ex, Fernando Henrique, na semana passada, aumentaram as chances de uma aliança entre PSDB e MDB. Desencantados com o DEM, os tucanos chegam à conclusão de que tempo na TV trazido por um vice vale mais do que sua tradicional dobradinha com um político nordestino, em busca de votos na região avessa ao partido. Segundo Vera Magalhães, embora tenham perfis similares, as especulações sobre uma chapa Alckmin-Henrique Meirelles estão altas.
Desde ontem, o presidente Michel Temer vem conversando com lideranças regionais do MDB para tentar unificar o partido. E, esta semana, terá uma conversa com o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. (Globo)

Lula, por sua vez, mandou dizer da prisão que é candidatíssimo. Ao menos, foi o que disse ao teólogo Leonardo Boff, que o visitou no papel de conselheiro espiritual. (Folha)

Daí que... Há consequências para uma conversa entre PSDB e MDB. Partidos que costumam trafegar mais ou menos na mesma região ideológica se juntam do outro lado. É o caso de Podemos, do paranaense Alvaro Dias, e o PRB, do empresário conservador Flávio Rocha. A união atrai, ainda, o DEM. Ficaria, na cabeça de chapa, o líder das pesquisas em julho. Que deve ser Dias. (Globo)

Mas Alckmin ainda luta para manter o DEM na chapa, ainda que não na vice. (Estadão)

Numa hipótese sem os demistas, a dupla Podemos-PRB cogita se nomear de ‘chapa da Lava Jato’.

É. Talvez. Precisarão combinar com os russos. Afinal, vindo pela centro-esquerda, há Joaquim Barbosa. No Estadão de domingo, o governador pernambucano Paulo Câmara, do seu PSB, convocou-o a se apresentar. “Temos que respeitar o tempo que ele pediu”, disse. “É óbvio que, se tiver a candidatura, ele vai ter que expor e falar. Não se faz campanha eleitoral sem estar nas ruas.”

Aliás... O Nexo tenta explicar a hesitação de Barbosa. O cientista político Vítor Oliveira vê um cálculo delicado. “É preciso considerar que há um custo de oportunidade no movimento, tendo em vista que o capital político angariado pelo ex-ministro do STF em sua trajetória poderia ser perdido. A atuação de Barbosa ainda é percebida por muitos como apolítica, ou até mesmo antipolítica.”

Bruno Boghossian: “As articulações para a eleição deste ano trazem uma busca por cartas de ‘saída livre da prisão’. O novo ímpeto dos partidos de centro-direita para trabalhar pela unificação de suas candidaturas comporta esse objetivo. Esse campo passou a perceber que, fragmentado, corria risco de uma derrota humilhante, o que eliminaria qualquer chance de influenciar o novo governo. O próximo presidente poderá escolher um novo chefe da Polícia Federal, trocar o comando da Procuradoria-Geral da República e preencher duas vagas que serão abertas no Supremo. Por trás da construção de alianças existe um pacto velado de preservação coletiva. Do lado do PT, o movimento é feito de maneira mais desavergonhada. Dirigentes da sigla querem propor a candidatos de centro-esquerda um acordo pela concessão de perdão judicial para o ex-presidente Lula, preso há um mês em Curitiba.” (Folha)

Raymundo Costa: “Quem sabe do riscado diz que há pelo menos quatro mitos rondando a campanha sucessória: Alckmin vai explodir nas pesquisas, Bolsonaro vai desmoronar, Lula não transfere votos e Joaquim Barbosa ainda não decidiu se é ou não candidato.” (Valor)

Por: Meio