22 maio 2018

Ciro e Bolsonaro cercam PSDB



Com os principais candidatos definidos, começaram os embates da campanha eleitoral. Há uma semana, enquanto Jair Bolsonaro prometia fuzis a agricultores, Geraldo Alckmin falava em tratores. Num momento de radicalização, o tucano ameaçado teve de ceder terreno: viu-se obrigado, depois, a argumentar que é preciso facilitar o porte de armas no campo. “O santo é ele, mas quem vai fazer o milagre sou eu”, respondeu com ironia, ontem, o ex-capitão do Exército, que aos poucos vai empurrando o candidato do PSDB para a direita. ‘Santo’, lembra Bernardo Mello Franco no Globo, era o nome de Alckmin na planilha da Odebrecht. Também ontem, perante jornalistas de Folha, UOL e SBT, Ciro Gomes fez um aceno ao PSDB. Seria, na campanha, uma aliança “completamente desparatosa”, afirmou. Mas entende que, já no governo, ter o PSDB ao lado ajuda a evitar dependência da base de apoio fisiológica no Congresso. E, assim, lança um sinal para quem, vindo do centro, se incomoda com a guinada na direção de Bolsonaro feita por Alckmin.

Alon Feuerwerker: “O nó da eleição está no fato de o establishment não ter um candidato que, ao mesmo tempo, empolgue a massa e se comprometa com a continuidade estrita do programa econômico e geopolítico do governo Michel Temer. A fraqueza do governo abre uma nova janela de oportunidade para o PSDB. Bem ou mal, Geraldo Alckmin roça os 2 dígitos, o partido tem musculatura, experiência com alianças, tradição de algum diálogo com os adversários e a confiança absoluta do establishment. É um erro pensar que o PSDB está fora do jogo, mas o partido e o candidato vão travar uma batalha morro acima. O establishment nunca aposta num único cavalo. E se Alckmin não decolar? Por que não Ciro Gomes? Uma aliança com Ciro representaria para o PT a possibilidade de recomposição com o establishment, mas numa posição subordinada. Faz sentido para os governadores candidatos à reeleição. E faz sentido para petistas com perfil para a vice de Ciro. Mas não faz tanto sentido assim para Lula, que antes de tudo quer continuar mandando na própria tropa. E o PT está preso a Lula, porque é ele quem tem os votos. E enquanto tiver isso estará politicamente vivo, mesmo preso. Ou seja, o preço que o establishment cobra para apoiar a esquerda, a morte política de Lula, é proibitivo para quem na esquerda tem garrafas para entregar, o próprio Lula. Esse é o principal complicador da segunda carta na manga.”

Por: Meio