30 maio 2018

Caminhoneiros voltam lentamente; Mas petroleiros entram em greve



“Não existe bloqueio em mais nenhuma rodovia do país”, afirmou na tarde de ontem o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. “Temos algumas concentrações em alguns lugares”. Não poucas. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, o número subiu de segunda para terça-feira e chegou a 616 pontos — três rodovias, no entanto, seguiam totalmente bloqueadas. Na noite de ontem, oito aeroportos administrados pela Infraero continuavam sem combustível. Mais de 270 voos já foram cancelados desde o início da greve dos caminhoneiros. Os postos pelo país começaram a receber combustível — em São Paulo, de 10% a 12% dos estabelecimentos foram abastecidos, enquanto no Rio cerca de 15% receberam combustível. A pior fase, ao que parece, passou e muito aos poucos a vida começa a se normalizar. A estimativa é de que demore ao menos uma semana para que o cotidiano retome seu passo.

Mas... Os petroleiros entraram esta madrugada em greve. Pararam por 72 horas em oito refinarias do país, além dos portos de Suape e Paranaguá. É uma greve ilegal: na noite de ontem, o TST a considerou inconstitucional. “A greve revela uma categoria forte e combatente mas, no momento, despojada de toda e qualquer sensibilidade”, afirmou a relatora, Maria de Assis Calsing. A corte estipulou multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.

O G1 mostra, em mapas, o impacto da greve dos caminhoneiros ao longo dos dias.

Neste período, 70 milhões de frangos morreram. Ainda correm risco de vida 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos. O prejuízo com a greve deverá somar R$ 3 bilhões. Ainda 360 mil litros de leite foram descartados — R$ 1,2 bilhão de prejuízo. A soma total, no setor agrícola, pode bater em R$ 6,6 bi, de acordo com a CNA. No Comércio, a CNC estipula perda na casa de R$ 3,1 bi. (Globo)

No Senado, o projeto de lei que prevê a reoneração da folha de pagamento de 28 setores da economia e elimina a cobrança de PIS-Cofins sobre o óleo diesel até o fim do ano, foi aprovado. Quando chegar às mãos do presidente Michel Temer para sanção, deverá ser parcialmente vetado. Segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá, o governo editará um decreto para garantir o acordo de redução de R$ 0,46 no litro do diesel.

Enquanto isso... Treze governadores recusaram ontem a proposta da equipe econômica do governo de reduzir a base de cálculo do ICMS do diesel.

Uma enquete rápida realizada pelo Datafolha via telefone ouviu que 87% dos brasileiros são a favor da greve dos caminhoneiros. Destes, 56% são favoráveis à sua continuidade. É um apoio homogêneo por todo o país. Mas também 87% não concordam com aumento de impostos ou corte de gastos do governo para atender às reivindicações. (Folha)

Pablo Ortellado: “O que diz esse discurso popular sobre a mobilização dos caminhoneiros? Que o preço dos combustíveis é uma decisão do governo, mas também que, direta ou indiretamente, é efeito da corrupção. O elo que liga preço e corrupção parece ser a Petrobras, que está no centro da Lava Jato. Essa ingênua explicação supõe que, se conseguíssemos estancar a sangria, poderíamos ter serviços públicos de qualidade e combustíveis a preços módicos, talvez até reduzindo a carga tributária. Para uma parcela da população, o preço dos combustíveis está ligado à corrupção, e o corrupto e inepto presidente Temer precisa cair, como antes caíram Dilma e o PT. Apenas a direita autoritária oferece uma saída para o que fazer se Temer cair, sem compactuar com o establishment de direita ou de esquerda. Trata-se de uma saída reacionária, autoritária e assustadora, mas recheada de promessas para aqueles que consideram a nossa democracia intrinsecamente corrompida e incapaz de se corrigir por mecanismos internos. Enquanto não entendermos o apelo dessa resposta, seremos incapazes de oferecer uma solução alternativa que seja compatível com os princípios democráticos.” (Folha)

Todos os candidatos à presidência — incluindo aqueles mais próximos do mercado como Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo) —, defenderam algum tipo de mecanismo que absorva a flutuação de preços do petróleo e seus derivados. Alguns falam de um fundo que possa compensar diariamente a Petrobras para que os reajustes sejam mensais. (Globo)

General Sérgio Etchegoyen: “Vivo no século 21 e o século 21 está divertidíssimo. Meu farol é muito mais potente que o retrovisor. Não vejo nenhum militar, Forças Armadas pensando nisso (intervenção militar). Não conheço, absolutamente.” (Globo)

Por: Meio