17 abril 2018

Supremo deve tornar Aécio réu, hoje




A Primeira Turma do Supremo decide, hoje, se Aécio Neves será transformado em réu no primeiro de nove inquéritos que tramitam contra ele na corte. Segundo a acusação, baseada em áudio capturado pelo empresário Joesley Batista da JBS, o senador tucano pediu R$ 2 milhões em propina. O ex-governador mineiro passou o dia em campanha para evitar o pior. Publicou artigo na Folha — “Fui ingênuo” — e deu uma coletiva. “Não há qualquer contrapartida”, afirmou. “Não houve inquérito, não houve investigação. Pulou-se essa etapa.” Sua principal linha de defesa trata da acusação de corrupção passiva. Da maneira como está redigido em lei, seria necessário provar uma vantagem indevida concedida a quem paga. O político recebe o dinheiro em troca de um favor prestado. A Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, pede que os ministros considerem que houve “ato de ofício em potencial” — já que todos os outros elementos de corrupção existem, é preciso reconhecer que o senador estaria à disposição dos empresários.

Não custa lembrar o diálogo:

Aécio: Como é que a gente combina?
Joesley: Tem que ver, você vai lá em casa ou...
Aécio: O Fred
Joesley: Se for o Fred, eu ponho um menino meu pra ir. Se for você, sou eu. Só Eu só faço desse jeito.
Aécio: Pode ser desse jeito.
Joesley: Entendeu? tem que ser entre dois, não dá pra ser…
Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes dele fazer delação.
Joesley: Eu e você. Pronto. Ou o Fred e um cara desses… pronto.
Aécio: Vamos combinar o Fred com um cara desse. Porque ele sai de lá e vai no cara. Isso vai me dar uma ajuda do caralho

O relator é o ministro Marco Aurélio Mello. Votarão também Rosa Weber, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. A previsão é de que o STF aceite a denúncia.

Bruno Boghossian: “Aécio Neves não é o único político apreensivo com a votação em que o STF decidirá se abre um processo contra ele. Vários figurões temem que o caso alimente o entusiasmo do tribunal em mirar personagens de outros partidos e consolide um entendimento mais rigoroso sobre a corrupção. A procuradora-geral Raquel Dodge reforçou a linha de acusação estabelecida por Rodrigo Janot. Afirmou que Aécio deve ser processado por ter recebido R$ 2 milhões mesmo se não tiver realizado nada em troca. Os poderosos consideram o caso emblemático porque o Supremo discutirá a denúncia contra Aécio apenas dez dias após a prisão do ex-presidente Lula. Sob essa ótica, o tucano seria transformado em réu para compensar o encarceramento do petista. A partir daí, argumentam, nenhum político estaria a salvo.” (Folha)

Fonte: Meio