12 abril 2018

STJ tira Alckmin da Lava Jato



A ministra Nancy Andrighi, do STJ, deu uma volta na Lava Jato de São Paulo. Relatora de um inquérito que investiga o pagamento de R$ 10,7 milhões da Odebrecht ao caixa dois do ex-governador Geraldo Alckmin, decidiu repassá-lo sob sigilo para o Tribunal Regional Eleitoral do estado. Diz que se trata de crime eleitoral, então este é o curso correto. A acusação faz parte do depoimento de três executivos da empreiteira. Ao deixar o cargo para disputar a presidência, Alckmin perdeu direito ao foro privilegiado. Mas, estando no TRE, apenas com uma ordem judicial as informações colhidas poderão ser compartilhadas com a força tarefa paulista. (Folha)

Bernardo Mello Franco: “Durou 24 horas a ilusão de que a Lava Jato pegaria o presidenciável do PSDB. Depois da prisão de Lula, a operação ensaiou fechar o cerco em torno de Geraldo Alckmin. Na terça, o braço paulista da Lava Jato pediu, ‘com urgência’, que o inquérito contra o tucano fosse encaminhado à primeira instância. Urgência houve, mas não foi exatamente para investigar. Ontem à tarde, a Procuradoria-Geral da República tabelou com o STJ e livrou Alckmin da mira da operação. O presente foi embalado pelo procurador Luciano Mariz Maia, o número dois de Raquel Dodge. Ele sustentou que os problemas se limitavam à prática de caixa dois. A ministra Nancy Andrighi aceitou a tese e mandou o inquérito para a Justiça Eleitoral. A manobra surpreendeu a Lava Jato paulista. À noite, os procuradores ainda tentavam entender o drible. Esbarravam na falta de transparência. Como o caso tramita em sigilo, nem a força-tarefa conseguia ter acesso à decisão do STJ.” (Globo)

Outros quatro governadores que deixaram o cargo para disputar eleições são investigados: Beto Richa (PSDB-PR), Confúcio Moura (MDB-RO), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Raimundo Colombo (PDC-SC).

O vice-procurador Luciano Maia providenciou a recomendação de qual o foro apropriado para cada um deles, de acordo com o MPF. Mas é o ministro relator, no STJ, que determina o destino final. O caso de Richa foi enviado para a Justiça Federal de Primeiro Grau do Paraná. (Estadão)

Por: Meio