19 abril 2018

PSB começa processo para lançar Joaquim Barbosa



Há um movimento dentro do PSB para que Joaquim Barbosa seja declarado pré-candidato à presidência até 15 de maio. É quando arrecadação de dinheiro por financiamento coletivo, na internet, começa a valer. A expectativa interna do partido é de que ele tem capacidade de chegar rapidamente ao limite estabelecido pelo TSE para esta fonte, de R$ 70 milhões. (Estadão)

Aliás... Não à toa, é hoje que ocorre a primeira reunião de cúpula oficial do PSB com a presença de seu provável candidato. É uma reunião de trabalho. Ideias do ex-ministro serão incorporadas ao programa do partido. Os líderes da sigla esperam também, de Barbosa, que ele faça um gesto em direção ao mercado financeiro, se comprometendo com políticas responsáveis. Recebeu tanto de Eduardo Giannetti quanto de Delfim Netto elogios após conversas e deve marcar outra, com Armínio Fraga, para as próximas semanas. O comando do PSB planeja, ainda, uma pesquisa na qual apareça o retrato dos candidatos à presidente. Aposta que, afastado da vida pública, muitos não lembram de seu nome e, vendo seu rosto, haverá ainda mais gente declarando voto. (Folha)

Mas as resistências internas são reais. O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, prefere alinhamento com o PT. Lula é muito popular no estado. E, por conta de Miguel Arraes e Eduardo Campos, o PSB pernambucano tem muito peso na legenda. Na terça, Câmara e Barbosa jantaram juntos. O flerte segue.

Já em São Paulo, o governador Márcio França não tem poder de impedir a candidatura, mas tem um problema grande. Deve fidelidade ao tucano Geraldo Alckmin. Mas, em saindo mesmo candidato, Barbosa, que é de seu partido, deverá ter muito mais peso nas pesquisas. (Veja)

Joaquim já começou a contar, dentro do PSB, o que pensa para o Brasil. Segundo ouviu Bruno Boghossian, na economia é um liberal moderado. Defende reformas estruturais, privatizações e livre concorrência. Não tem dúvidas a respeito da necessidade de venda das estatais — Petrobras de fora. Defende redução do tamanho do Estado, e inclui aí uma reforma da Previdência. Defende programas de transferência de renda e de acesso a universidades, mas critica políticas de subsídio estatal a empresas. (Folha)

Pois é. Revendo a atuação jurídica do ex-ministro, o Valor saiu com a mesma impressão: de um homem liberal na economia.

A turma do Jota, entrou em detalhes para desvendar o pensamento de Barbosa a partir de sua atuação no Supremo. Como ministro, votou a favor da cobrança previdenciária de servidores aposentados e contra a cobrança de ICMS de um estado quando a compra foi feita via internet, noutro. Foi radical na defesa de posse por vários grupos indígenas das terras da reserva Raposa Serra do Sol. Mostrou-se favorável tanto à prisão após condenação em Segunda Instância quanto à Lei da Ficha Limpa. Considerou constitucional a aplicação de cotas raciais.

Enquanto isso... A trupe do Aos Fatos fez esforço semelhante, reunindo tweets e entrevistas de Barbosa para tentar ler-lhe as posições. Ele considera Temer um homem conservador que, como Dilma, é desconectado do país. Não chama o impeachment de Golpe, mas considera que foi um jogo de cartas marcadas. É contra a redução de maioridade penal que, segundo ele, só é defendida por quem não conhece as violentas prisões brasileiras.

Helena Chagas: “O PIB passou a olhar em direções nas quais nunca havia mirado antes, como as de Joaquim Barbosa e Marina Silva. Ainda é um olhar cheio de dúvidas. Mas os pré-candidatos já perceberam isso e lutam nesse espaço. A ex-seringueira tem candidatura mas não estrutura partidária, e tem que lutar por alianças e apoios. De Barbosa, pouco se sabe. Alguns amigos tentam passar a ideia de que o ex-ministro do STF não será um irresponsável na economia. Esse discurso é música para os setores que temem que Barbosa chegue à cédula com um programa de esquerda. Neste momento, Barbosa e Marina começam um duro embate por corações e mentes não só das elites, mas de todo o eleitorado. Há quem articule uma chapa com os dois, mas quem os conhece sabe que se trata de um sonho de uma noite de verão — e que, se a convivência seria difícil na campanha, acabaria quase impossível num hipotético governo. Mas os caminhos da eleição passam pelos dois.”

Fonte: Meio