03 abril 2018

Com guerra interna e apelo por paz, STF mira julgamento de Lula



A semana abriu com uma guerra de abaixo-assinados que chegaram ao Supremo. Com mais de cinco mil assinaturas de procuradores e juízes, principalmente, uma nota técnica defende que a corte mantenha a leitura de que após a segunda condenação a pena possa ser executada. Incluindo-se aí a prisão. O documento foi entregue a todos os ministros. Com três mil assinaturas, advogados criminalistas levaram um texto oposto, defendendo que é preciso considerar o réu inocente até que o trâmite jurídico seja cumprido, em todas as instâncias. Entregaram o abaixo-assinado ao decano, ministro Celso de Mello.

Em pronunciamento divulgado no YouTube, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, tenta colocar panos quentes na tensão que toma o mundo político às vésperas de o STF decidir se o ex-presidente Lula vai ou não ser preso. “Diferenças ideológicas não podem ser inimizades sociais”, ela afirmou. “Há que se respeitar opiniões diferentes. O sentimento de brasilidade deve sobrepor-se a ressentimentos ou interesses que não sejam aqueles do bem comum a todos.”

Cármen não quis estúdio com cenário ou teleprompter. Quer evitar confrontos nas ruas e bate-boca entre os ministros. (Folha)

O ministro Luís Roberto Barroso também falou, num espírito bem menos tolerante, em evento da ONU, em São Paulo. “O Brasil se deu conta de que nós vivenciávamos uma corrupção sistêmica”, afirmou. “Era um modo de conduzir o país com um nível de contágio espantoso que envolvia empresas públicas, agentes públicos, membros do Congresso, do Executivo, da iniciativa privada. Foi espantoso o que aconteceu no Brasil.” (Estadão)

O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol escolheu o Twitter. “4ª feira é o dia D da luta contra a corrupção na #LavaJato. Uma derrota significará que a maior parte dos corruptos de diferentes partidos, por todo país, jamais serão responsabilizados. O cenário não é bom. Estarei em jejum, oração e torcendo pelo país.” O juiz carioca Marcello Brêtas lhe respondeu na plataforma. “Caro irmão em Cristo, como cidadão brasileiro e temente a Deus, acompanhá-lo-ei em oração.”

O Vem Pra Rua tenta botar a população na rua, hoje, pela manutenção da prisão após condenação em segunda instância.

José Fucs: “As manifestações marcadas para esta terça serão decisivas para mostrar a força atual dos grupos que lideraram as megamanifestações pelo impeachment de Dilma, como o Vem Pra Rua e o MBL. Eles terão de mostrar que ainda têm capacidade de mobilização para levar a massa às ruas e capitalizar a indignação popular. Se conseguirem, vão potencializar a pressão sobre os ministros do STF que deverão votar nesta quarta o HC do petista, do qual depende sua prisão.”

Fonte: Meio