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23 abril 2018

Aécio no centro do alvo



Veio tudo num repente. Em novo depoimento, Joesley Batista disse que repassou R$ 110 milhões a Aécio Neves em sua campanha ao Planalto, em 2014. Segundo o empresário, havia contrapartida: a garantia do senador de que atuaria em favor do grupo J&F. Já Sergio Andrade, dono da Andrade Gutierrez, confirmou o repasse de R$ 35 milhões ao político mineiro através de uma empresa do compadre do senador, Alexandre Accioly. Segundo a Polícia Federal, em troca Aécio ajudaria a empreiteira a participar da construção da usina de Santo Antônio, em Rondônia. Tem também coisa menor. Aécio dirigia uma Land Rover que não estava em sua declaração de renda. Pertencia à rádio Arco-Íris, a mesma que intermediava uma mesada de R$ 50 mil dos irmãos Batista ao senador. (Neste carro, ele foi detido certa vez na Operação Lei Seca carioca.) E o ex-ministro da Justiça, Osmar Serraglio, vai depor perante o Ministério Público confirmando que foi pressionado pelo senador a nomear um delegado da PF que lhe fosse favorável nas investigações a seu respeito. (Globo)

Ascânio Seleme: “A história de Aécio, apesar da boa carreira, jamais se comparou com a do seu avô. Primeiro, pelas falcatruas em que se viu envolvido. Claro que Tancredo também usou caixa 2 nas suas campanhas. Na biografia Tancredo Neves, o Príncipe Civil (Amazon), escrita pelo jornalista Plínio Fraga, constata-se que mesmo a campanha do Colégio Eleitoral foi financiada por dinheiro não declarado. Mas para por aí. Há um oceano separando as ações de avô e neto. Esta distância oceânica entre Tancredo e Aécio se dá também em razão do déficit intelectual do segundo. Aécio jamais conseguiu fazer as formulações políticas que Tancredo fazia. O avô, além de ser um político excepcional, um habilíssimo conciliador e um extraordinário articulador, era um homem de inteligência acima da média. Bem acima da média de seu neto Aecinho. Tancredo leu todos os clássicos e os citava sempre que podia. Não se conhece um título que Aécio tenha lido ou citado. O senador-réu trocou a literatura pelos livros de caixa. O político que em 2014 mereceu a confiança de 51 milhões de brasileiros hoje é uma mancha na história de Tancredo Neves.” (Globo)

Por: Meio