29 março 2018

Sob pressão, polícia busca ao menos dois por ataque a caravana do PT



Segundo a Polícia Civil do Paraná, dois dos três ônibus da caravana do ex-presidente Lula receberam tiros. O que estava mais atrás foi alvejado duas vezes no lado esquerdo e, o do meio, uma, no flanco direito. Os disparos, ainda segundo a polícia, parecem ter sido feitos por duas armas diferentes, ambas de baixo calibre. Por isso, e porque estavam em lados diferentes da estrada, a hipótese inicial é de que havia ao menos dois envolvidos no atentado. Uma quarta marca, no vidro do último ônibus, provavelmente foi feita por pedra. Os dois ônibus tiveram também pneus furados por ganchos pontiagudos postos ao longo da estrada. Lula estava na caravana, justamente no ônibus que saiu ileso. Um laudo oficial ficará pronto nos próximos dias. (Folha)

O primeiro delegado responsável pela investigação foi Wilkison Fabiano de Arruda, de Laranjeiras do Sul. “Se há disparo de arma de fogo em direção a diversas pessoas, isto será considerado tentativa de homicídio”, declarou. Arruda foi substituído pelo também delegado Hélder Lauria, quando duas equipes do COPE, de operações especiais, vieram de Curitiba. As investigações, agora, se concentram em disparo de arma de fogo com dano provocado. O procurador Olympio Sotto Maior também fala em tentativa de homicídio.

A Polícia Rodoviária Federal acompanhava os ônibus e preparou um relatório no qual afirma que nada anormal foi percebido durante o trajeto. O documento, porém, estranhamente não menciona o instante no qual os veículos pararam para constatar tanto os pneus furados quanto as marcas de tiro.

De acordo com Vera Magalhães, deputados e senadores petistas passaram o dia em linha direta com o ministro da Segurança, Raul Jungmann. No Planalto, informa Andréia Sadi, o presidente Michel Temer recebeu (discretamente) o ex-ministro Gilberto Carvalho, emissário de Lula. O PT deseja que a investigação seja assumida pela Polícia Federal. Mas o governo não quer.

De bate-pronto, ainda na terça, Geraldo Alckmin afirmou que o PT colhia o que plantara. Ontem, voltou atrás. “Toda forma de violência tem que ser condenada. É papel de homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros”, escreveu no Twitter.

Jair Bolsonaro: “É tudo mentira. Está na cara que alguém deles deu os tiros. A perícia deverá ficar pronta entre hoje (ontem) e amanhã (hoje) e vai apontar a verdade.” (Estadão)

Clóvis Rossi: “Os tiros contra a caravana Lula são o ápice da selvageria que se foi instalando no Brasil. A principal vítima é o diálogo, instrumento indispensável para se fazer política, para adotar medidas que tenham um mínimo de consenso. A transformação da política em guerra tribal, entre ‘coxinhas‘ e ‘mortadelas‘, acabou com a conversa. Não se trata mais de argumentar com os adversários, mas de xingá-los — e os apelidos dados mostram o nível indigente da guerra. O que muda a guerra de patamar é o tiro. Entre xingar o ‘inimigo’ e disparar contra ele há um abismo que deveria ser intransponível. Se foi transposto agora é porque o Brasil resvala ainda mais para a barbárie — e o que está havendo no Rio é, aliás, muito mais representativo do estágio de degradação do país. Descobrir quem deu os tiros talvez seja possível. Digo talvez porque o assassinato da vereadora Marielle Franco chega à segunda semana sem que os culpados tenham sido apontados. O impossível, no entanto, é descobrir os culpados pelo assassinato do diálogo. São tantos — e estão sempre do lado contrário ao que cada tribo defende — que não parece ter mais jeito.” (Folha)

Fonte: Meio