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Os militares sobem o tom



O general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro, foi ao Twitter ontem exortar o general Hamilton Mourão. “Soldado na essência d’alma”, fez escrever. “Todos te agradecemos amigo Mourão os exemplos de camaradagem, disciplina intelectual e liderança pelo exemplo.” Mourão, que defendeu publicamente um Golpe Militar caso o Judiciário não puna os políticos corruptos, passou à reserva. O fato não parece incomodar seu comandante. E, mal terminava a cerimônia, a revista Piauí subiu uma entrevista do repórter Fabio Victor com o agora general de reserva. Ele tem um projeto político. Não seu, pessoal. Mas ideológico. Deseja presidir o Clube Militar. E, daquela posição, coordenar uma série de candidaturas de militares — a começar pela de Jair Bolsonaro ao Planalto.

Agora que pode falar com desenvoltura, Mourão se põe crítico da intervenção federal no Rio de Janeiro. “É uma intervenção meia-sola”, reclamou. “No século XIX, quando o Caxias era nomeado interventor para conter revoltas, recebia tanto poder político como militar. Agora o interventor recebe só poder militar, mas não tem o poder político, num estado em que o crime organizado ataca nos dois níveis — no do colarinho-branco e no da bandidagem. Então, nós ficamos numa guerra e de mãos atadas.”

Um parêntesis: Muitas das revoltas nas quais o futuro Duque de Caxias interveio eram de quilombos. E as tratou, como bem entendeu, na barbárie à moda do tempo. Um dos casos mais conhecidos foi descrito pelo ex-governador carioca Carlos Lacerda no livro, esgotado,O Quilombo de Manoel Congo (Estante Virtual), assinado com o pseudônimo Marcos.

Villas-Bôas que elogiou Mourão, que elogiou Ustra. “Combateu o terrorismo e a guerrilha, por isso ele é um herói”, explicou ao repórter Rubens Valente. Carlos Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-CODI do II Exército durante a Ditadura, foi o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura. Mourão também afirmou, logo após a cerimônia e ainda de farda, que o presidente Michel Temer é um dos que deveriam ser expurgados da vida pública. (Folha)

Temer afirmou que em até quinze dias indicará um novo ministro da Defesa. E que ele não será militar. (Globo)

Por: Meio

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