14 fevereiro 2018

Diretor da PF tenta proteger Temer e vira alvo, no Carnaval



O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, aproveitou-se do Carnaval para dar à Reuters uma entrevista exclusiva. “Os indícios são muito frágeis de que houve influência”, falou. Tratava da investigação sobre pagamento de propinas pela empresa Rodrimar no decreto que prorrogava concessões nos portos, do ano passado. Um dos principais investigados: o presidente Michel Temer. De acordo com Segovia, a tendência seria recomendar o arquivamento do inquérito.

Era um balão de ensaio para passar em branco no meio da folia. Não aconteceu. “É sempre temerário que a direção-geral emita opiniões pessoais sobre investigações nas quais não está diretamente envolvida”, fez escrever em nota pública a Associação dos Peritos Criminais Federais. A maior pancada, porém, veio do ministro Luís Roberto Barroso, que responde pelo inquérito no Supremo. “Tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria”, falou a respeito da entrevista. “Pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal.” Segóvia deve se explicar a Barroso hoje.

O Planalto está preocupado. Para o inquérito, o delegado Cleyber Malta Lopes pediu, nas últimas semanas, depoimentos do ex-executivo da JBS Ricardo Saud, do ex-presidente da empresa Joesley Batista e do coronel aposentado João Batista Lima, muito ligado ao presidente. O velho policial militar tem conseguido evitar este depoimento. Mas a PF insiste. Além disso, o delegado começou a fuçar outro inquérito, arquivado, que tem foco em propinas no Porto de Santos que envolvem Temer. Segundo a repórter Andréia Sadi, o presidente discute retirar o delegado do caso desde a posse de Segovia. Ainda não conseguiu.

Dentro da corporação, delegados pressionam pela renúncia de Segovia, informa o Painel. (Folha)

Por: Meio