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Cármen Lúcia bate de frente



Se não tinha sido clara ainda, a presidente do Supremo aproveitou a abertura de trabalhos da corte em 2018 para fazer um discurso duro em defesa do Judiciário. “Pode-se ser favorável ou desfavorável à decisão”, afirmou, “o que é inadmissível é desacatar a Justiça.” Cármen Lúcia não citou o ex-presidente Lula, mas ele era um dos alvos de seu discurso. “Justiça individual, fora do direito, não é Justiça, senão vingança ou ato de força pessoal.” Tinha por alvo Lula, mas também todos — inclusive alguns de seus pares —, que pressionam para revisar a decisão de que se prenda os condenados em segunda instância. “Que não tenhamos de ser lembrados pelo que fizemos ou, pior, pelo que desfizemos do conquistado social e constitucionalmente.” No fim, é ela quem tem o poder de pautar ou não um julgamento de qualquer questão. Ao seu lado, durante a cerimônia, estavam os presidentes da República, Michel Temer, do Senado, Eunício Oliveira, e da Câmara, Rodrigo Maia. Não discursaram. Mas falou a procuradora-geral Raquel Dodge. “O Ministério Público”, ela disse, “pretende continuar a agir para que a Justiça seja bem distribuída, para que haja o cumprimento da sentença criminal após duplo grau de jurisdição, que evita impunidade.” (Jota)

Segundo Helena Chagas, que dirigiu a Comunicação da ex-presidente Dilma, há um recado sendo passado para o PT pelos tribunais superiores e juristas: ‘cala a boca’. A estratégia de entrar em confronto com o Judiciário pode virar-se contra Lula, pois alimenta o espírito de corpo até de juízes que poderiam lhe conceder decisões favoráveis.

Bernardo Mello Franco: “Já virou tradição. A abertura do ano judiciário se tornou um grande encontro de investigadores e investigados. Por força do protocolo, a ministra Cármen Lúcia se viu cercada por três alvos da Lava-Jato. A anfitriã fez um belo discurso em defesa do Judiciário. Sem citar Lula, mandou recado aos petistas que protestaram contra a condenação do ex-presidente. Tudo certo, mas faltou dizer que o Supremo já permitiu o desacato duas vezes na gestão da ministra. Na primeira, aceitou que Renan Calheiros ignorasse uma ordem para deixar a presidência do Senado. Na segunda, curvou-se a uma rebelião contra o recolhimento noturno de Aécio Neves. O tucano se salvou do castigo graças ao voto de minerva de Cármen.” (Globo)

No Congresso há receio. Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias são senadores com presença e, na Câmara, Paulo Pimenta será o líder do PT. As suas são algumas das vozes que falam mais alto contra a condenação de Lula pelo TRF-4. Se as bancadas voltarem aguerridas, o medo é de que obstruam votações e trabalhem para interromper os trabalhos como protesto político. (Estadão)

Por: Meio

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