26 janeiro 2018

Lula lança candidatura. Que não deve ser permitida



O tom subiu. A resposta petista à condenação do ex-presidente Lula foi de lançar sua candidatura ao Planalto. “Eu espero que essa candidatura não dependa do Lula”, disse referindo-se a si na terceira pessoa. A militância está convocada. E Lula foi além. “Este cidadão simpático que está falando para vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem.” O discurso oficial é de ignorar a Justiça. “Aqui vai um recado para dona Polícia Federal e para o Poder Judiciário: não pensem que vocês mandam no país”, acirrou o líder do MST João Pedro Stédile. O senador Lindbergh Farias foi além. “Só temos um caminho, que são as ruas, as mobilizações, rebelião cidadã, desobediência civil.” (Globo)

O discurso é um, a prática, outra. O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça Federal do DF, determinou que o ex-presidente entregue seu passaporte. E o advogado de Lula se prontificou de presto a obedecer a ordem. Nada a ver com a condenação pelo TRF-4. Foi um pedido do Ministério Público por conta de processo que investiga tráfico de influência na compra, pela FAB, de caças suecos. Lula deveria ter viajado esta madrugada para a Etiópia. Tinha uma reunião da FAO.

Segundo Helena Chagas, o PT deve procurar os outros presidenciáveis da esquerda para reafirmar o pacto: Ciro Gomes(PDT), Manoela D’Ávila (PCdoB), Boulos pelo PSOL e até Aldo Rebelo (PSB) se comprometeriam a defender Lula publicamente, mantendo o discurso de que não há provas. Uma debandada pós-condenação definitiva complicaria o jogo. E preocupa o comando. Em troca, quem chegar ao segundo turno leva o apoio dos outros.

Pois é. Já Lauro Jardim mostra o outro lado: PCdoB e PSOL resistem. (Globo)

Já há algum tempo o alinhamento de parte do PSOL com Lula incomoda no partido. Mas o apoio automático ao ex-presidente começa a provocar um conflito mais aberto. O vereador carioca Renato Cinco partiu contra Guilherme Boulos, cotado como possível candidato à presidência pela sigla. “O cara faz um discurso desses” — entenda-se, de resistência à condenação do ex-presidente — “e ainda tem gente que quer que ele seja candidato.” Para Cinco, “Lula desmoralizou a esquerda se lambuzando com corrupção”.

De acordo com a apuração de Fernando Rodrigues e Luiz Felipe Barbiéri, não é garantido que o Supremo vá reformar sua decisão de não executar penas após condenação em segunda instância. Vários dos ministros que poderiam recuar não gostam de Lula. E a tendência do STF é mudar apenas parcialmente. A prisão deixa de ser automática quando instâncias superiores podem ainda rever os fatos do processo. Não é o caso.

Para Fernando Henrique, caso se confirme o cenário de Lula fora da disputa, a candidatura de Jair Bolsonaro deve também se esvaziar. A polarização acaba. (Valor)

Por: Meio