18 dezembro 2017

A reforma da Previdência e os interesses dos candidatos a presidente



As agências de classificação de risco devem rebaixar a nota do Brasil. O ministro Henrique Meirelles ficou os últimos dias tentando evita-lo. O adiamento da votação da reforma da Previdência faz com que os analistas acreditem que o Planalto tenha perdido a capacidade de articulação e que ela não saia em 2018. Esta incapacidade percebida na lida com o Parlamento, informa o Painel, sugere também aos analistas que uma candidatura de centro apoiada pelo governo tenha poucas chances. (Folha)

Alon Feuerwerker: “O senso comum faz concluir que é mais difícil votar em ano eleitoral uma reforma da Previdência redutora de direitos. O mesmo senso diz que em ano de eleição os candidatos serão pressionados a dizer o que farão nos temas da pauta econômica. E a reforma da Previdência é o principal ponto da agenda. Seu emperramento pode acabar criando um problema para o candidato vitorioso. Por isso, a esquerda esbraveja contra, mas no íntimo torce para que Temer consiga passar algo que libere o novo presidente dessa pauta. Estelionatos eleitorais têm consequências, sabe-se cada vez melhor. Do outro lado, a bandeira serão as reformas liberais. E a disputa pelo apoio do establishment a um candidato se dará também em função de que nome vai ser mais capaz de vencer e reunir apoio político para dar andamento à agenda proposta pelas forças que depuseram Dilma. Eis por que, para o governo Temer, tentar passar a reforma ao longo de 2018 talvez seja tão importante, ou até mais importante, do que obter uma vitória rápida. Esta teria certamente bons efeitos na economia, mas o alongamento do debate daria de mão beijada uma narrativa pronta a um eventual candidato do governo ao Planalto.”

Mas o Congresso ainda tenta um último suspiro. Até sexta-feira, a Câmara pretende votar o projeto que regulamenta, enfim, a atividade de lobista no Brasil. Agentes particulares que representam os interesses de certos grupos fluem habitualmente por entre deputados e senadores, assim como o fazem noutras Casas legislativas do mundo. O recesso começa, oficialmente, no sábado, dia 23.

Fonte: Meio