Anuncie

Anuncie

Temer some o dia todo, e Câmara o salva



A Câmara dos Deputados enterrou a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, em plenário, por 251 votos contra, 233 a favor, duas abstenções e 25 ausências. Na votação da primeira denúncia, o governo teve 263 votos a favor — uma diferença de 12, pequena. Ainda assim, foi um dia particularmente tenso. Oposição e governistas obstruíram o voto, impedindo que o plenário tivesse o quórum mínimo de 342 para início da sessão até o fim da tarde. Em parte, o objetivo era mesmo dar um susto no presidente. Mas houve um complicador: Temer desapareceu no fim da manhã, internado no Hospital do Exército. E, durante várias horas, o Palácio limitou-se a informar que ele tivera uma obstrução urinária. Problemas de saúde repentinos de presidentes deixam sempre o mundo político tenso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a se irritar e ameaçou encerrar as tentativas de voto, o que levaria a decisão para a segunda semana de novembro. A ameaça funcionou, os deputados vieram.

A obstrução urinária de Temer ocorreu pelo aumento natural da próstata, que costuma ocorrer em homens após os 45. Ela pressiona a bexiga de baixo e pode apertar o canal da uretra. Temer precisou receber uma sonda e deixou o hospital às 20h. (Estadão)

Internet sendo internet: os memes sobre o estado de Temer.

Saiba: Como votou cada deputado. E quem mudou o voto entre a primeira e a segunda denúncia. (Globo)

Ainda, do Nexo, a votação em 16 gráficos.

Em meio à tensão do dia, o debate da esquerda no Twitter ferveu. O da direita, não. É o que revela o Painel das Bolhas, nova ferramenta interna do Meio. Desenvolvida para mostrar o que os membros mais ligados aos dois espectros políticos estão discutindo na rede, tem um termômetro que indica se o debate está mais frenético ou não. A turma da direita ficou quieta o dia todo, a da esquerda, não. O Painel está sendo testado pelos Pioneiros e vai ser liberado para o público nas próximas semanas. Os Pioneiros veem essas coisas antes. Junte-se a eles: é simples, basta usar o sistema para recomendar o Meio a dez amigos.

O fotógrafo Lula Marques, da Agência PT, registrou o deputado gaúcho Darcísio Perondi, do PMDB, conferindo em plenário uma lista com valores em dinheiro e o nome de municípios do seu estado. No registro, Perondi observa o painel de presença e parece fazer marcas ao lado de algumas linhas. Marques sugere ser um indício de compra de votos. À Rádio Gaúcha, o parlamentar afirmou que se tratavam de pedidos de prefeitos e não havia qualquer relação com a denúncia do presidente.

Galeria: Imagens do voto na Câmara.

Clóvis Rossi: “Temer voltou duas vezes nesta quarta: a pessoa física teve alta, depois de um episódio (necessariamente agudo) de caráter urológico; e o presidente da República teve alta da Câmara para voltar ao Planalto com a certeza de que ganhou o ‘fica, Temer’. Mas tanto a pessoa física como o presidente voltam mais fracos.” (Folha)

Paulo Celso Pereira: “Em 17 de maio, o colunista Lauro Jardim revelou que Joesley Batista havia gravado o presidente em um diálogo nada republicano. Ali foi encerrada a primeira fase do governo Temer. Nela, houve uma mudança profunda na condução da política econômica e a aprovação de medidas legislativas de peso, como o teto de gastos públicos e a reforma do ensino médio — além da apresentação da reforma trabalhista. Nos últimos meses, o que vigorou foi um governo dedicado apenas a garantir sua sobrevivência. As mudanças na definição do trabalho escravo serão eternizadas como símbolo do balcão montado no Planalto para garantir que Temer de lá não fosse apeado. Temer tem, portanto, exatamente um ano para construir o que pretende deixar como imagem final de seu governo.” (Globo)

E... O rapper Gabriel, o Pensador, pôs no ar versão nova de sua música Tô Feliz (Matei o Presidente), que remete aos tempos do impeachment de Fernando Collor.

Fonte: Meio

Tecnologia do Blogger.