Anuncie

Anuncie

E o Senado piscou



Por 50 votos a 21, decidiu jogar para a frente o voto sobre o afastamento de Aécio Neves. E, assim, evitou a possibilidade de derrubar uma ordem do Supremo, criando uma ruptura entre os Poderes. Segundo Gerson Camarotti, internamente os próprios tucanos já avaliavam, ontem, que o clima da Casa estava virando. Avisaram Aécio que, se fosse votado, ele corria o risco de perder. Pressionados pela militância, também os senadores petistas estavam receosos de se manifestar publicamente a favor do mineiro. Mas não foi sem grita. “Se o Senado se submeter a isso”, discursou Renan Calheiros, “o mais recomendável para a Mesa Diretora era fazer como na ditadura: entregar a chave ao Supremo.” Fraco por conta de uma diverticulite, Romero Jucá falou ainda mais duro. “Temos que discutir quantas fraturas expostas serão necessárias para o Senado se posicionar.”

Há um bastidor importante. Na Câmara, o PSDB ameaça tirar, da Comissão de Constituição e Justiça, o deputado Bonifácio Andrada. De perfil pró-Temer, foi escolhido relator da denúncia contra o presidente. A constante dubiedade tucana irrita parte do PMDB. E o PMDB decidiu não se comprometer com a votação a favor de Aécio. Foi troco. (Estadão)

O próximo passo pertence ao STF. No dia 11, o plenário se reúne para avaliar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Se aprovar, autoriza o Congresso a rever, em até 24 horas, qualquer medida cautelar imposta a deputados e senadores exceto prisões. Assim, se a Corte concordar, o Senado está autorizado a dispensar Aécio da sentença que lhe foi imposta.

É um cenário incômodo para a Corte: terá de julgar uma questão de princípio com, nos bastidores, um caso concreto particularmente grave. Mas foi um risco que os senadores assumiram, botando na mão dos ministros a decisão final. (Folha)

E... Edson Fachin manteve a decisão da Primeira Turma. Por enquanto, Aécio permanece afastado e tendo de se recolher à própria casa todas as noites. (Estadão)

João Domingos: “Caso o Senado decida mesmo partir para o confronto com o STF, o risco de aumento do desgaste da Casa diante da opinião pública será imenso. Quaisquer pesquisas que tenham feito uma medida do humor da opinião pública em relação aos políticos mostrará que o confronto é um grande erro. Mesmo que o STF também não seja hoje um campeão popular, e tenha se envolvido em um ativismo político sem precedentes, a imagem que tem é muito melhor do que a do Senado.” (Estadão)

Fonte: Meio

Tecnologia do Blogger.