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18 setembro 2017

Sai Janot, entra Dodge, o clima é tenso no MPF



Raquel Dodge tomará posse hoje como procuradora-geral da República às 10h30, no auditório do Ministério Público Federal, com presença do presidente Michel Temer. Há imensa especulação, mas nada de concreto a respeito de como conduzirá os procuradores federais a partir desta semana. Ela não foi a mais votada pelo colégio de seus pares, mas era a número dois da lista tríplice quando foi escolhida por Temer. Pertence a um grupo rival ao do atual ocupante do cargo, Rodrigo Janot.

Janot não irá. Segundo apurou Jailton de Carvalho, ele considerou uma descortesia ter sido convidado por email assinado impessoalmente pelo ‘Ministério Público Federal’. (Globo)

O foco da tensão está nos responsáveis pelo núcleo da Lava Jato em Brasília — que não é o mesmo de Curitiba. Dois dos principais nomes, que haviam manifestado vontade de permanecer — Rodrigo Telles e Fernando Antonio de Alencar — já foram avisados que deixarão seus cargos. (Estadão)

Vários dos nomes escolhidos por Dodge têm histórico no combate à corrupção. Ela criou uma secretaria especial que se dedicará aos casos que rodam no Supremo. A titular é Raquel Branquinho, que trabalhou no Mensalão. Alexandre Espinosa e José Alfredo de Paula, que serão responsáveis pela Lava Jato, trabalharam nos mensalões petista e mineiro, além da Operação Zelotes. (Globo)

No Supremo, a expectativa é de que seja uma relação com muito menos atrito. (Estadão)

Não é trivial avaliar a gestão Janot. Trabalhou sob imensa pressão. Denunciou um presidente da República não uma, mas duas vezes — inédito na história. Pediu o afastamento e a prisão de um presidente da Câmara (Eduardo Cunha), do líder do governo no Senado (Delcídio do Amaral), tentou prender o presidente do Senado (Renan Calheiros), um ex-presidente (José Sarney) e o presidente do PSDB (Aécio Neves). Ao todo, 242 inquéritos foram abertos contra autoridades com foro privilegiado que geraram 65 denúncias no Supremo. Entrou em conflito com a Polícia Federal em busca de protagonismo nas investigações, tentando impedir que a entidade pudesse fechar acordos de delação premiada. Ainda não está claro o quanto sabia sobre os problemas na delação da JBS que podem, no futuro, se mostrar sérios. (Folha)

Aliás... O procurador Ângelo Goulart Villela afirma que Janot tinha certeza de que conseguiria derrubar Temer. E queria fazê-lo rápido para evitar que Dodge fosse indicada para sucedê-lo. Villela esteve preso por 76 dias, acusado por Joesley Batista de receber dinheiro para vazar informação da Lava Jato para a JBS. (Folha)

Vera Magalhães: “Procurador-geral se perdeu no afã de deixar uma ‘marca’.” (Estadão)

Fonte: Meio