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14 setembro 2017

Rodrigo Janot partirá para sua última denúncia contra Temer



Rodrigo Janot deve apresentar nova denúncia contra o presidente Michel Temer hoje, até o final do dia. O documento, de acordo com a apuração da repórter Talita Fernandes, tem mais de 200 páginas e se baseia tanto nas delações da JBS quanto na do doleiro Lúcio Funaro. Temer será acusado de obstrução de Justiça por ter dado o aval a Joesley Batista para comprar o silêncio de Funaro e Eduardo Cunha, presos. E de participar de uma organização criminosa — a “quadrilha do PMDB da Câmara”. É a própria Câmara que decidirá se a denúncia pode ser tratada ou não pelo Supremo, pelo voto de 342 deputados. (Folha)

Segundo Vera Magalhães, Joesley será incluído na denúncia por obstrução de Justiça. “É evidente que essa inclusão é, na verdade, uma reação de Janot à saraivada de críticas de que tem sido alvo desde que vieram à tona as irregularidades e suspeitas de ilegalidades cometidas na gênese do acordo de colaboração do núcleo da J&F.” (Estadão)

A denúncia virá após uma grande vitória de Janot no plenário do Supremo. Por 9 votos a 0, os ministros derrubaram o pedido da defesa do presidente de considerar o procurador-geral suspeito e afastá-lo de casos envolvendo Temer. “O presidente quer trabalhar”, reclamou o advogado Antônio Cláudio Mariz. “Deixem-no em paz.” Ricardo Lewandowski foi um dos que reagiram. “Não há ninguém no país inimputável.” Luiz Fux, também. “Janot é o único integrante do Ministério Público que pode processar o presidente. É da sua atribuição.” Não votaram Luís Roberto Barroso, que estava viajando, e Gilmar Mendes, que preferiu assistir à sessão pela TV em seu gabinete. (Jota)

A defesa de Temer tentou ainda um último recurso: que o STF segure qualquer denúncia enquanto as investigações sobre o acordo de delação da JBS não se encerram. “Pela primeira vez em 27 anos me defronto com o pedido de o Supremo obstaculizar a oferta de uma denúncia do MP”, criticou Marco Aurélio Mello. Não houve tempo de concluir a votação, que foi jogada para a semana que vem. E, até lá, já será Raquel Dodge no comando da Procuradoria-Geral da República. (Estadão)

E... Uma série de mensagens encontradas no celular do irmão de Joesley, Wesley Batista reforçam a convicção da Polícia Federal de que o procurador Marcello Miller ajudou os irmãos a negociar melhor sua delação. Ao menos um trecho levanta a suspeita de que outros dois procuradores estavam informados, talvez parcialmente, da relação dos empresários com Miller. São Eduardo Pelella, chefe de gabinete de Janot, e Sérgio Bruno, do grupo da Lava Jato. (Folha)

Frase do dia: “Dando dinheiro, o Moreira faz qualquer coisa.” De Lúcio Funaro, doleiro, em delação a respeito do ministro Wellington Moreira Franco. (Estadão)

Fonte: Meio