15 setembro 2017

Janot lança a última flecha contra Temer



A denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo afirma que Michel Temer fazia parte de uma organização criminosa — o PMDB da Câmara — e que, no momento em que se tornou presidente, tornou-se também líder do grupo. Os membros da quadrilha ofereciam serviços em troca de propinas usando para isso Petrobras, Furnas, Caixa Econômica, Ministério da Integração Nacional e a própria Câmara. O segundo crime imputado ao presidente é o de obstrução de Justiça. Ao instigar o empresário Joesley Batista, por meio do executivo Ricardo Saud, a dar dinheiro à irmã do doleiro Lúcio Funaro para evitar sua delação premiada, Temer tentou atrapalhar a investigação. (Globo)

Segundo o procurador-geral Rodrigo Janot, Temer e seus aliados levantaram pelo menos R$ 587 milhões em propina. O PMDB da Câmara não era, no modelo reconstruído pelos procuradores, o único que fazia parte do esquema. Somam-se ao grupo integrantes do PMDB do Senado, do PP e do PT.

Trabalhavam como intermediários entre Temer e os operadores da corrupção Eliseu Padilha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Moreira Franco e Rodrigo Rocha Loures. O grupo liderado por Temer tinha ascensão sobre os outros. Para mascarar a origem o dinheiro, a organização fazia transferências bancárias internacionais pulando três ou mais vezes de banco em banco ou, em alguns casos, adquiria instituições para controlar as práticas de compliance, dificultando o trabalho dos investigadores. Os crimes do PMDB da Câmara já ocorriam desde, pelo menos, o governo Lula.

Rodrigo Janot, no texto da denúncia: “A crise dentro do núcleo político da organização criminosa aumentava à medida que a Operação Lava Jato avançava, desvendando novos nichos de atuação do grupo criminoso. Nesse cenário, os articuladores do PMDB do Senado Federal, em especial o Senador Romero Jucá, iniciaram uma série de tratativas para impedir que a Operação Lava Jato continuasse a avançar. Como não lograram êxito em suas tratativas, em 29.03.2016 o PMDB decidiu deixar formalmente a base do governo e, em 17.04.2016, o pedido de abertura de impeachment da Presidente Dilma Rousseff foi aprovado pela Câmara dos Deputados.” É um jeito de contar a história recente do Brasil que não agrada a ninguém. (Estadão)

O ministro Edson Fachin vai aguardar o pleno do STF decidir se as provas que vieram da delação da JBS permanecem de pé. O julgamento é na quarta-feira próxima. Só depois decidirá se encaminha para avaliação da Câmara a denúncia.

O Supremo já havia recebido a denúncia quando Janot se pôs perante os ministros para um discurso em tom de despedida. “As páginas da história certamente hão de contar com isenção e verdade o lado que cada um escolheu para travar sua batalha pessoal nesse processo.” Domingo é seu último dia no cargo. (Folha)

Fonte: Meio