04 setembro 2017

Coreia do Norte dá salto em armas nucleares



A Coreia do Norte testou ontem sua bomba mais poderosa, estimada em pelo menos seis vezes mais forte do que qualquer outra já feita pelo regime. O artefato faz um estrago sete vezes maior do que os das bombas atômicas lançadas sobre o Japão na Segunda Guerra. Segundo o governo, é uma bomba de hidrogênio — a mais poderosa que existe. Os EUA mediram um terremoto de 6,3 na escala Richter no local dos testes e os sul-coreanos indicam um potencial explosivo de 100 kilotons. É o primeiro teste nuclear realizado desde a posse de Donald Trump. Em uma foto divulgada pelo governo, o líder Kim Jong-un aparece inspecionando uma peça que caberia na ogiva de um míssil. Em julho, um míssil assim foi testado, sem carga explosiva e lançado para cima, provando capacidade, ao menos teórica, de atingir os EUA num ponto tão distante quanto Chicago. Mas os especialistas têm dúvidas sobre a real capacidade de miniaturização da ogiva. Bomba poderosa o governo Kim certamente tem. Não é certo, avaliam, que seja mesmo de hidrogênio, tecnologia dominada por apenas cinco países. Assim como não é certo que o explosivo seja pequeno o suficiente para ser posto num míssil. O que ninguém duvida é que o patamar do risco norte-coreano mudou. (Washington Post)

A reação imediata de Donald Trump foi atacar a Coreia do Sul. Acusa o governo recém-empossado do presidente Moon Jae-in de adotar uma política de apaziguamento com o vizinho agressivo. Há um conflito entre as promessas de campanha de Trump — que incluíam mais barreiras para o comércio com parceiros asiáticos — e a política de segurança. Nos últimos dias, a Casa Branca vem acenando com a possibilidade de deixar o acordo de livre comércio com o país. Trump quer manter a pressão e, justamente neste momento, ocorreu o teste norte-coreano. Em vez de declarar apoio imediato ao governo de Seul, optou por seguir batendo. O presidente americano fez também uma ameaça velada à China, sugerindo cortar os negócios com quaisquer parceiros econômicos da ditadura. Beijing é o principal. (New York Times)

Fonte: Meio