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25 setembro 2017

Conflito do tráfico para o Rio



A Rocinha, no Rio, passou a última madrugada em aparente paz. Segue, desde a tarde da sexta-feira, cercada pelo Exército. Durante o fim de semana, três morreram, nove foram presos e 18 fuzis, apreendidos. Os confrontos no morro carioca se dão pela disputa de espaço entre a ADA (Amigos dos Amigos) e o Comando Vermelho (CV). A ADA, chefiada por Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, tinha o controle local. O traficante comanda suas operações de Rondônia, onde cumpre pena de prisão. A região, porém, virou-se para o CV com o fortalecimento de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, antigo lugar-tenente de Nem. O Exército anunciou cedo que faria um cerco completo à Rocinha — uma tática já usada noutros momentos. Dá tempo aos traficantes em guerra para deixarem o local, evitando um confronto com armas pesadas que, inevitavelmente, mataria muitos. Tanto as escolas públicas quanto as particulares da região continuarão sem aulas nesta segunda-feira, por temor de violência. (Globo)

Desde janeiro, a ADA vem recebendo fuzis enviados pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC. (Estadão)

Mais de uma vez, foi documentada nos últimos meses a entrada de armas pesadas no Brasil, vindas do espólio das FARC, para as principais facções criminosas.

Há um contexto importante na crise de segurança do Rio. O acordo de deposição de armas das FARC, na Colômbia, criou um vácuo de poder na produção de cocaína das Américas. O CV carioca e o PCC paulista disputam este espaço para que se tornem grupos de tráfico internacionais. Esta disputa se dá, em geral, pelo comando de territórios. Os conflitos em penitenciárias do Norte, no início do ano, já eram parte desta guerra. O governo Temer sabe disto desde o ano passado. Só optou por não tratar do tema publicamente. Antes, faltava-lhe dinheiro para o combate. Agora, sequer tem força política. O conflito no Rio de Janeiro não é apenas carioca. É parte de uma guerra que está em curso em todo o território brasileiro e que tem por objetivo controlar a produção e a distribuição de drogas no continente.

Fonte: Meio