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05 setembro 2017

Brasil à espera de uma gravação



O Brasil pode parar hoje. Uma das gravações entregues por Joesley Batista à Procuradoria-Geral da República registra diálogo grave entre o empresário e um de seus principais executivos, Ricardo Saud. Na conversa, cujos primeiros e ainda vagos detalhes foram revelados inicialmente pelo repórter Rodrigo Rangel, da Veja, são citados o ex-procurador Marcello Miller e pelo menos quatro ministros do Supremo Tribunal Federal. Em alguns casos, os comentários levariam ao constrangimento. Mas, na citação de pelo menos um dos ministros, o caso seria “mais comprometedor”. Há expectativa de que o áudio venha a público hoje.

A gravação pode levar à anulação do acordo de delação premiada da JBS. Ocorrida em 17 de março, após conversa de Joesley com Temer, apresenta empresário e executivo bêbados e confessando crimes que não foram relatados ao MP. A condição para a delação é que todos os crimes sejam relatados. O ex-procurador Marcelo Miller, dizem os dois, teria ‘afinado’ com eles detalhes de como oferecer a delação para angariar melhor resultado. Miller, que era um dos homens mais próximos de Rodrigo Janot, deixou a procuradoria para atuar como advogado em 5 de abril, portanto, semanas depois. Advogado, diga-se, do escritório que negocia o acordo de leniência da JBS. Não há citações explícitas ao STF e, sim, ‘bravatas’, segundo fonte que teve acesso ao áudio. (Globo)

Do ponto de vista jurídico, os benefícios da delação podem ser retirados sem que isso comprometa as provas e acusações que tenham nascido dela. A avaliação é dos presidentes da Associação Nacional dos Procuradores da República e da Associação dos Juízes Federais do Brasil. (Globo)

Mas... As possíveis repercussões são muito grandes, por conta do envolvimento de Miller. A suspeita de que ele planejou a delação de Batista gera incertezas sobre outros dois acordos: o de Sérgio Machado, que gravou José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá em maio de 2016, e do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, cujo filho flagrou em gravação o ex-senador Delcídio do Amaral. (Folha)

Conheça Marcelo Miller, o homem que esteve ao lado de Janot de 2013 ao início de 2017. (Estadão)

Marco Aurélio Mello: “O ruim é quando não se nomina esses possíveis mencionados, porque ficamos todos nós sob suspeita. O comum do povo vai imaginar que os 11 ministros do Supremo estão envolvidos.” (Globo)

Fernando Rodrigues: “O ambiente formado neste momento prejudica os defensores da apresentação de uma 2ª denúncia contra Michel Temer. Como cassar o mandato do presidente com base em fatos apresentados por alguém que ousou omitir informações numa delação premiada? É necessário e vital dizer, entretanto, que as acusações contra o presidente continuam sendo fortíssimas. Se tudo acabar anulado mais adiante, o maior responsável pelo eventual fiasco será o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.”

Vera Magalhães: “Por mais que Janot diga que a eventual anulação da delação da JBS não compromete as provas obtidas, fica evidente que a conversa com Temer foi montada e orientada para obter os benefícios alcançados pelo grupo. Justamente por alguém que, no GT de Janot, tinha como ‘expertise’ orientar delatores a gravar seus alvos.” (Estadão)

Fonte: Meio