17 agosto 2017

Reforma política trava enquanto políticos batem cabeça



Sem quórum, o deputado Rodrigo Maia achou melhor encerrar a sessão na Câmara sem levar ao voto qualquer um dos artigos da reforma política. Não há acordo. Os parlamentares temem o impacto popular da aprovação de um fundo de R$ 3,6 bilhões para financiar a campanha em meio à crise nas contas do governo. Uma das opções é criar o fundo sem estabelecer valor, permitindo que a Comissão de Orçamento da Câmara o faça no fim do ano. Mas estão, principalmente, inseguros a respeito do Distritão, que mudaria a forma como se elegem deputados e vereadores. Os líderes passarão os próximos dias articulando e o voto está marcado para a terça-feira. (Globo)

Pelas contas do cientista político americano Gary Cox, a composição da Câmara eleita pelo Distritão ou pelo método proporcional no sistema D’Hondt, utilizado hoje no Brasil, muda pouco e praticamente não atinge os partidos pequenos. Mas impõe aos grandes um dilema. No proporcional, os votos de candidatos excessivamente populares são redistribuídos entre outros candidatos da mesma coligação. No Distritão, os votos são dele e apenas dele. Assim, as legendas se vêem obrigadas a pedir que os eleitores não votem em seus nomes mais populares. Sua eleição já é garantida, e os votos de simpatizantes podem ser melhor aproveitados se dados aos nomes menos conhecidos. Mas pedir menos votos não é um cálculo trivial. (Folha)

Fonte: Meio