23 agosto 2017

Governo quer Eletrobrás pulverizada — e reforma política empaca



As ações da Eletrobrás chegaram a subir mais de 50%, aumentando em R$ 9 bilhões seu valor de mercado, após o anúncio de privatização. O governo pretende impor limites aos futuros acionistas, com a intenção de pulverizar o controle. (Folha)

Vinicius Torres Freire: “A propriedade estatal de usinas e distribuidoras de eletricidade não tem resultado em benefícios para o público faz mais de três décadas. Privatização também pode dar em besteira, em apropriação de bens públicos e rendas, entre outros. O dinheiro que investidores vão gastar na compra das estatais vai faltar para o investimento em expansão da capacidade? Parece uma pergunta colegial, mas nos anos 1990 ocorreu assim. Eventuais ganhos de eficiência serão repassados ao público? A regulação e o planejamento vão funcionar? Serão repensados ou a venda das imensas estatais elétricas será feita à matroca, no desespero, um quebra-galho para a dívida pública e problemas mais imediatos de governo?” (Folha)

Os deputados continuam sem se entender a respeito da reforma política — e, mais uma vez, o dia terminou na Câmara sem qualquer voto. Rodrigo Maia tentou dividir o pacote para votar tema a tema, mas PT e oposição se puseram contra. Não há acordo sobre o conjunto, mas o presidente da Casa tem esperança de conseguir consenso dividindo. Deseja votar primeiro o sistema do Distritão para 2018, depois o fundo de financiamento de campanha e, por fim, a implantação do sistema Distrital Misto a partir de 2022. O PT é contra o distritão, mas quer o financiamento público. (Globo)

Para ler com calma: Fernando Rodrigues, diretor doPoder360, mergulha numa análise de fácil leitura, embora profunda, sobre a reforma política. No caminho, constrói alguns argumentos. O mais importante é o de que não há sistema eleitoral perfeito. Mas os que melhor funcionam são aqueles que mudam muito pouco. Após algumas décadas, o eleitor se habitua com o modelo e aprende a usá-lo a seu favor na hora do voto. O jornalista questiona, também, a ideia de que o brasileiro não tem tradição de doar para políticos. Tradição, afirma, se cria. Os políticos brasileiros é que são preguiçosos. Ele aponta ainda o grande debate ausente nas conversas sobre reforma política: é que, na eleição da Câmara, o conceito de para cada pessoa, um voto. Se o número de deputados fosse dividido pelo de eleitores, São Paulo deveria ter 115 representantes, e o Acre, dois. Mas SP tem 70, e o Acre, oito. Ou seja, voto de um eleitor nuns estados tem maior peso do que noutros.

Fonte: Meio