15 agosto 2017

A meta fiscal foi adiada. De novo



Pela segunda vez, o governo adiou o anúncio das novas metas fiscais para 2017 e 2018. Os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, passaram várias horas da tarde no Planalto em conversas com o presidente Michel Temer e seu alto comando. Contas foram feitas e refeitas. A meta atual era fechar o ano com déficit de R$ 139 bilhões. A princípio, os ministros querem aumentar para R$ 159 bilhões — mesmo número do ano passado. O medo é de que não baste e a principal dificuldade é o Centrão, que se tornou a base do governo na Câmara. O ministro Moreira Franco defende que a meta seja ainda maior, segundo oEstadão. Não só estes parlamentares apresentam uma conta alta em emendas como são contra o aumento de impostos e, lembra o Poder360, ainda existe a negociação do programa de perdão de dívidas, Refis, que tramita no Congresso. O fisco pode recolher entre R$ 500 milhões e R$ 13 bilhões, dependendo de como ficará o texto final.

O Novo Refis deve ser votado esta semana pela Câmara. O perdão parcial da dívida de empresários pode chegar a R$ 543,3 bilhões em três anos se valerem todas as emendas impostas por parlamentares.

Míriam Leitão: “A culpa é do presidente Temer. Um presidente refém de políticos resolve compartilhar com eles uma decisão dolorosa como a fiscal. Agora o risco é termos dois anos de R$ 170 bilhões. A equipe econômica quer elevar o déficit para R$ 159 bilhões este ano e no próximo. Já é muito. Já é imenso. Mas a pressão dos políticos é para ampliar gastos em ano eleitoral. Se o presidente bater o martelo nesse descalabro, entregará ao país um número muito pior do que o pior momento do governo Dilma.” (Globo)

De um deputado importante do Centrão fisiológico ouvido por Josias de Souza: “Na hora de pedir o nosso voto contra a denúncia, ninguém no governo falava em meta fiscal. Agora, não dá para dizer simplesmente que o cheque pré-datado não tinha fundos.”

Um detalhe: O Cptec, que pertence ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, é responsável por analisar o clima e prever o tempo no Brasil. Precisa de R$ 17 milhões ao ano, recebeu R$ 7 milhões. Só de energia, o centro gasta R$ 6 milhões. Se o velho computador que tinha de ser substituído der problema, o país ficará sem saber se chove e quando. É informação essencial para o agronegócio.

Titular da 6ª Vara de Sinop, a 477 quilômetros de Cuiabá, o juiz Mirko Vicenzo Giannotte recebeu brutos R$ 503.928,79 no mês de julho. O valor soma salário, indenizações e atrasados. Seu salário habitual é de apenas R$ 66 mil. O dobro do teto. (Estadão)

Fonte: Meio