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E finalmente um ex-presidente da Petrobras é preso



Pela primeira vez desde que a Lava Jato começou a investigar a corrupção dentro da Petrobras, um ex-presidente da Petrobras foi preso. É, incrivelmente, Aldemir Bendine, último a comandar a empresa nos governos do PT, posto no cargo por Dilma para iniciar o processo de saneamento da companhia. A Lava Jato já ocorria quando Bendine sentou-se com executivos da Odebrecht — na véspera de assumir a presidência da estatal — e cobrou-lhes uma propina de R$ 3 milhões. O dinheiro foi pago em espécie, dividida em três parcelas, e entregue à empresa MP Marketing, que nunca teve um funcionário mesmo operando entre 2006 e 2016. Pertencente aos publicitários irmãos André e Antonio Carlos Vieira, ela teria prestado consultoria à Odebrecht Ambiental. Num período de três meses seguidos, um taxista recolheu o envelope que repassou a André. A MP Marketing chegou ao requinte de recolher Imposto de Renda sobre a propina. Um mês após sua posse, Bendine participou de uma cerimônia, ao lado do procurador-geral da República Rodrigo Janot e do também procurador Deltan Dallagnol, para celebrar a repatriação de R$ 157 milhões entregues pelo ex-diretor da Petrobras Pedro Barusco após sua delação. Acusado pelos executivos da empreiteira, o nome de Bendine já circulava entre os investigadores. Após quebra de sigilo ordenada pelo juiz Sérgio Moro, foram descobertas na nuvem ligada aos celulares de Bendine e de André Vieira capturas de tela de conversas entre os dois, travadas pelo app de mensagens Wickr — que destrói as trocas. A vantagem do app para corruptos foi fragilizada pelo amadorismo dos dois. Quando preso pela Polícia Federal, Bendine tinha passagem só de ida para Portugal. E tem cidadania italiana. (Globo)

Bendine já era um nome polêmico quando nomeado por Dilma. Em 2014, a apresentadora de TV Val Marchiori comprou um Porsche com financiamento de R$ 2,7 milhões do Banco do Brasil. Era o executivo quem presidia o BB na época e driblou as regras internas da instituição para liberar o dinheiro. Ele e Val eram amigos íntimos. Em 2012, Bendine foi autuado pela Receita por não informar a procedência de R$ 280 mil que haviam sido declarados. Estava no radar do fisco por ter comprado, em 2014, um apartamento em dinheiro vivo. (Folha)

Aliás... Amigos de Bendine não têm dúvidas de que ele deve partir para a delação premiada caso sua prisão temporária se converta em provisória, que não tem prazo. Seu alvo será o ex-ministro Guido Mantega, de quem era muito próximo. (Estadão)

André Vieira, além de operador de propinas de Bendine, tinha laços com parlamentares do PMDB. Ele é acusado por executivos da JBS de ter repassado ao partido R$ 6,1 milhões no total. Teriam recebido dinheiro de Vieira o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, além dos senadores Vital do Rêgo, Jader Barbalho e Renan Calheiros. O dinheiro faz parte da conta corrente que o PT mantinha com a JBS, totalizando R$ 31 milhões, que era distribuída por ordens do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Teriam recebido quantias de Vieira, também, políticos ligados ao PSB de Pernambuco como o governador Paulo Câmara e o ex-ministro Fernando Bezerra, além do ministro tucano Bruno Araújo. (Globo)

Vera Magalhães: “Até aqui, os presidentes da Petrobras, mesmo aqueles que a comandaram durante o período em que todas as diretorias eram dominadas pelo petrolão, escaparam das investigações. A explicação mais recorrente é que existiria uma espécie de acordo tácito na força-tarefa de que atingir presidentes da Petrobras implicaria em admitir que a empresa praticou os crimes do petrolão, quando, pela narrativa adotada, inclusive com a presença da Petrobras como assistente de acusação, ela foi vítima da pilhagem.” (Estadão)

Fonte: Meio

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