28 junho 2017

Temer parte para o ataque, mas sua base na Câmara vacila


(Foto: Evaristo Sá / AFP)

“Tenho orgulho de ser presidente”, disse ontem Michel Temer em discurso no Salão Leste do Planalto. “Não sei como Deus me colocou aqui.” A frase virou piada imediata e disparou um festival de memes pela internet. Mas não foi um discurso engraçado. Foi, isto sim, um discurso agressivo que tentava, também, demonstrar força política. Pouco mais de 30 pessoas, principalmente deputados, estavam presentes. E nenhum do alto clero. Não foram os presidentes da Câmara ou do Senado, assim como não foi o presidente do PMDB, Romero Jucá. Temer queixou-se de Marcelo Miller, procurador que deixou a Lava Jato para juntar-se a um dos escritórios que representa a JBS. “Não houve quarentena nenhuma”, disse. “Garantiu ao seu novo patrão uma delação que o tira das garras da Justiça.” Estava no ataque. “Ganhou milhões em poucos meses”, seguiu contra Miller para então mudar o alvo. “Talvez os milhões de honorários recebidos não fossem unicamente para o assessor de confiança.” Sem citar o nome, referia-se ao chefe anterior do advogado, Rodrigo Janot, procurador-geral da República. “Mas eu tenho responsabilidade, não farei ilações.” Segundo Temer, a denúncia da PGR é uma peça de ficção. “Os senhores sabem que fui denunciado por corrupção passiva”, lembrou, “a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi dinheiro.” Questionou, inclusive, a gravação feita por Joesley Batista. “Na pesquisa feita seriamente pela Polícia Federal está dito que há cerca de 120 interrupções, não é? O que torna a prova inteiramente ilícita.” Leia o discurso completo (PDF).

Por: Meio