23 julho 2014

Recesso Branco no País dos Palhaços

Que tal um emprego que lhe garanta quase trinta mil reais de salário, auxílio moradia de R$ 3.500,00, plano de saúde ilimitado e internacional para você e sua família, passagens aéreas, automóveis, R$ 78 mil por mês para contratar até 25 funcionários, direito de fazer suas refeições em qualquer restaurante do país e mais alguns mimos financeiros?
Que tal este emprego para trabalhar apenas quando quiser?
Já sei. Você está pensando que é uma piada ou uma pegadinha, né?
Lamento dizer, mas não é.
Isso tudo (e muito mais) é o que recebe cada parlamentar brasileiro do Congresso Nacional. Deputados e senadores são verdadeiros marajás da república. Eles não precisam estar em Brasília de sexta à segunda. Os dias de “trabalho” se resumem a terça, quarta e quinta, dias em que ocorrem as Sessões Deliberativas Ordinárias, mas que muitos insistem em ignorar.
E se você já acha que é mordomia demais, aqui vai o golpe fatal…
Durante a Copa do Mundo deste ano, o Congresso Nacional quase nada fez. A desculpa foram os jogos, principalmente os da “selecinha brazileca”  humilhada em plena arena brazuca.
Com Copa ou sem Copa, os nobres parlamentares deveriam votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, uma espécie de plano de gestão governamental elaborado pelo Palácio do Planalto. Segundo a Constituição Federal, Artigo 57, parágrafo 2º, a votação deve ocorrer até o dia 17 de julho. Se não ocorrer, parlamentar algum poderá curtir o recesso de duas semanas.
- Mas, quem disse que no local onde são criadas as leis elas devam ser respeitadas?
Quem disse que os nobres senhores de paletó e gravata devam se curvar à Carta Magna?
Pois, é! Os deputados e senadores lançaram mão do nojento jeitinho brasileiro para curtirem uns dias de férias que, diga-se de passagem, não são merecidos.
Recesso Branco, esta é a nova ordem congressista. Eles fingem que trabalham e a sociedade finge que nada de errado está acontecendo.
Mas, não há nada tão ruim que não possa receber um “up”. O famigerado Recesso Branco só vai terminar quando terminarem também as eleições, ou seja, final de outubro.
Se para você, trabalhador assalariado, que tem seu dia de trabalho descontado por ocasião de uma falta, para os parlamentares isso simplesmente não existe.
Os rechonchudos salários e demais afagos financeiros continuarão a serem pagos normalmente. Serão R$ 228 milhões, segundo cálculos do Congresso em Foco, a conta que devemos pagar neste período.
Mas não fique nervosinho! Os 513 deputados federais e os 81 senadores só estão no Congresso Nacional porque o “povo” os colocou lá.
Acho que tá na hora de ter mais responsabilidade e consciência na hora de votar, mesmo com as “putrefacientes” Urnas Eletrônicas.
Veja mais no vídeo abaixo.